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Me trancafiei com Olga, seus dois filhos, seu cachorro, suas dores, loucura, dilemas e fantasmas por quatro horas ininterruptas até a última página do livro. Aflição, vertigem e sufocamento são algumas palavras que me vem à cabeça quando penso na experiência desta leitura que tem uma narrativa tão inundada de detalhes.

Dias de abandono traz numerosos aspectos que podem ser intensamente analisados e discutidos. Mas, pra mim o ponto alto da leitura é o espaço de tempo em que Olga não consegue abrir a porta do seu apartamento. A fechadura emperra e a chave não gira em suas engrenagens.

Ela precisa sair e resolver os problemas que perturbam dentro do apartamento e de seus pensamentos. Leio como uma metáfora angustiante do período mais recente de uma separação, pois se trata de um momento muito difícil e que nos remete à uma certa sensação de aprisionamento. Afinal, é o tempo em que geralmente ficamos presos e ensimesmados elaborando as perdas advindas da separação.

Do que separamos quando nos separamos de alguém?

É tão difícil abrir mão daquela pessoa com quem nos identificamos! A sensação é de que perdemos também uma parte que é nossa, e mais ainda, a separação do outro traz notícias de nossas próprias separações.

De certo modo a gente está se separando o tempo todo, seja quando escolhemos ou quando as contingências da vida se colocam. Nos separamos de planos e ideais, das fantasias de completude e inteireza, da ideia que temos do outro e de nós mesmos, a gente se separa dos pais, da infância e também daqueles sonhos que a gente acreditava que seriam realizados assim que crescêssemos.

Se separar é doloroso e pode carregar restos insistentes, mas é também motor para girar chaves, abrir portas, trilhar novos caminhos e escrever novas histórias, decididamente!

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