A leitura de “O riso da Medusa” é o meu primeiro contato com a escrita de Hélène Cixous, graças, é claro, à chegada do livro ao Brasil. Essa linda tradução e edição da Bazar do Tempo tem sua publicação original em 1975, e só agora, em 2022, pude lê-la. Demorou muito para que isso acontecesse, e isso, podemos afirmar, se…
A coreo(grafia) que Aline Bei cria para esse livro tem um ritmo tão envolvente que se tornou impossível parar de ler - ou dançar - suas páginas. Palavras em tamanhos diferentes e espaçamentos sem padrão algum, é um convite para acompanhar os movimentos ambivalentes de Júlia na busca por uma c(asa), ou corpo-lugar. Passinho por passinho, entre a dor e…
A história narrada por Kambili é carregada de violências, e todas elas me assombram de maneiras diferentes. Fica evidente a presença dos restos do colonialismo nas vidas dos nigerianos e das nigerianas, sobretudo o cristianismo, que sempre foi instrumento de dominação dos colonizadores, durante e após o período colonial, infligindo suas crenças religiosas e impondo normas e valores familiares. Além…
Eu estava cercada de beleza natural num desejado período de recesso, e por várias vezes eu disse que gostaria de ver o “nascer do pôr do sol”. Equivocidade reveladora da minha relação atual com o tempo, a finitude, os começos e recomeços. Acontece que, embora eu desejasse muito, não vi o nascer do sol nenhum dia. Talvez fosse cedo demais…
Me trancafiei com Olga, seus dois filhos, seu cachorro, suas dores, loucura, dilemas e fantasmas por quatro horas ininterruptas até a última página do livro. Aflição, vertigem e sufocamento são algumas palavras que me vem à cabeça quando penso na experiência desta leitura que tem uma narrativa tão inundada de detalhes. Dias de abandono traz numerosos aspectos que podem ser…